Corpos de quatro das cinco vítimas de tragédia no Rio Tiête são sepultados em Sumaré

 

Quatro das cinco vítimas de uma mesma família que morreram afogadas no Rio Tietê na véspera de Natal foram sepultadas na tarde desta segunda-feira (26), no Cemitério da Saudade, em Sumaré (SP). O corpo de Kervellin Wallace da Silva foi liberado pelo IML de Jaú (SP) e aguarda traslado para velório e enterro na cidade onde morava.

Foram sepultados os corpos de Emily Camile Dias da Silva, de 3 anos, e Nicolly Luize Dias da Silva, de 9 anos; de Cynthia Silva dos Santos, de 25 anos, mãe das meninas; e Denise Aparecida Dias da Silva, de 51 anos, mãe de Kervellin e avó das crianças.

Sobrevivente da tragédia, Manoel de Oliveira, marido de Denise, relatou que todos brincavam na água, na tarde de sábado (24), quando caíram em uma espécie de "poço" dentro do Rio Tietê. Eles possuem um rancho entre Dois Córregos (SP) e Mineiros do Tietê (SP) a expectativa era passar as festas de final de ano no local.

"Está difícil acreditar no que aconteceu. Você ver pessoas pedindo socorro, e não conseguir", afirmou.

Ainda de acordo com o sobrevivente, o momento era de descontração da família e, de repente, acabaram entrando em uma espécie de "poço profundo".

"Foi muito rápido, todo mundo encobrindo [pela água]. Estávamos brincando, água na cintura, crianças no colo. Era tipo uma praia, ventando um pouco. Não tinha um metro, um metro e vinte um do outro. Assim que afundamos, minha esposa tentou me dar a mão e empurrar a menina. Tentei tirar, mas não consegui. Só eu que sai", contou Manoel.


Poço no rio

Sobre o poço em que todos caíram dentro do rio, uma área mais profunda, Manoel contou que não havia nenhum aviso sobre o perigo. Ele narrou que após a tragédia moradores teriam afirmado que havia uma placa dentro da água.

"Disseram que tem um aviso, mas tá encoberto pela água. Talvez devido a época de chuvas. Mas se tivesse um aviso, teria de estar do lado de fora. Foi questão de segundos. Uma hora estava todo mundo junto, na outra não tinha chão para ninguém", reclama.

O sobrevivente ainda lamentou que apesar de se tratar de uma época movimentada, por conta das festas, de que não havia nenhum barco ou moto aquática próximo que pudesse ajudar no resgate.

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. Laudos foram solicitados, e sobreviventes e testemunhas deverão ser convocados para depor.

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