PF faz operação contra fraudes de R$ 190 milhões na previdência de Paulínia

 

A Polícia Federal de Campinas deflagrou na manhã desta quinta-feira (20) uma operação para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na ordem de R$ 190 milhões de reais na gestão da Pauliprev, autarquia Municipal gestora do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) de Paulínia.

Segundo a corporação, a investigação cumpre nesta manhã quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas. Os mandados são cumpridos na manhã de hoje em endereços residenciais de Paulínia, Sumaré, Louveira e Niterói, no Rio de Janeiro. 

De acordo com a PF, o objetivo é buscar documentos que comprovem a gestão fraudulenta e o recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do fundo, que são investigados. No total, oito pessoas são investigadas, entre elas o ex-prefeito de Paulínia José Pavan Júnior, que comandou a cidade por cinco oportunidades - a última entre 2015 e 2016. 

O grupo teria movimentado de forma ilegal dinheiro dos servidores de Paulínia. Os prejuízos causados pelas fraudes afetam o patrimônio do instituto de previdência e, consequentemente, prejudicam os benefícios dos servidores municipais, como aposentadorias e pensões.

Procurada, a Pauliprev declarou que a operação ocorre em segredo de justiça, e que dará todas as informações necessárias à Polícia Federal. A autarquia ainda declarou que os mandados cumpridos hora não tiveram relação ao instituto e os atuais dirigentes. Veja a nota completa abaixo.  

Já a defesa do ex-chefe do Executivo afirmou que está tomando conhecimento do caso e, por enquanto, não vai se manifestar.

 

A INVESTIGAÇÃO

A investigação sobre o sistema criminoso se iniciou em 2019 a partir de informações colhidas na Operação Encilhamento, com a delação de um dos então investigados. Na época, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Pauliprev.

Na delação, consta ter sido pago, no ano de 2015, o valor, em espécie, de R$ 300 mil ao então prefeito da cidade de Paulínia em troca do controle da Pauliprev.

Naquele mesmo ano, com o novo presidente nomeado a partir da negociação, a Pauliprev fez duas aplicações, ambas autorizadas pelo seu Diretor-Presidente e pela Gestora-Responsável e Diretora-Financeira em um fundo que já traziam problemas de recebimento, no valor de R$ 85 milhões.

Com tais aplicações, somadas a uma anterior já realizada em 2013 no mesmo fundo, cerca de 12% do patrimônio da Pauliprev foi concentrado neste investimento.

Os valores aplicados pela Pauliprev nesse fundo foram em grande parte canalizados para aquisição de debêntures emitidas por uma empresa controlada pelo ex-empregador do então presidente da Pauliprev, sendo uma parte remetida ao exterior.

Segundo o delator, houve o pagamento de comissão dessas operações de 7% para servidores públicos, para o delator e seu sócio, beneficiando, inclusive os gestores do fundo de investimento.

Além desses investimentos, outros na ordem de R$ 106 milhões estão sendo investigados por direcionamento a fundos que seriam indiretamente controlados por um sócio da empresa que prestava consultoria à Pauliprev.

O nome da operação se refere a falso, em latim, em razão dos objetivos ocultos relacionados à destinação dos investimentos.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de (crimes de corrupção ativa/passiva) e gestão fraudulenta do instituto (art. 4° da Lei 7.492/86), cujas penas podem ultrapassar 24 anos de prisão.

 

OUTRO LADO

Em nota, a Pauliprev afirmou que a operação segue em segredo de justiça e que dará todas as informações necessárias à Polícia Federal, e ainda declarou que os mandados cumpridos hora não tiveram relação ao instituto e os atuais dirigentes.

"Em relação à Operação da Polícia Federal denominada "Falsus", que busca elucidar ilegalidades ocorridas em gestões anteriores do Instituto Pauliprev, a autarquia previdenciária informa que:

1.Essa Operação ocorre em Segredo de Justiça, razão pela qual a autarquia não dispõe de informações adicionais sobre seu desenrolar. Qualquer posicionamento, neste momento, não contribuirá para a apuração dos fatos;

2.Importante salientar que a presente Operação envolve mandados judiciais cumpridos hoje, que foram direcionados para os endereços residenciais dos investigados, sem qualquer intercorrência no Instituto ou com os seus atuais dirigentes;

3.Apesar disso, se solicitada, a autarquia dará todas as informações necessárias e suficientes à Polícia Federal para contribuir com as investigações;

4.A autarquia esclarece que não apenas nessa Operação atual da Polícia Federal, mas em todas as investigações envolvendo TCE-SP, MPSP e demais órgãos fiscalizadores, sempre contribuiu com a máxima transparência e colocando à disposição das autoridades todas as informações solicitadas;

5.Embora não possa se manifestar sobre os termos da atual denúncia, é certo que envolve antigos gestores da autarquia, sem nenhuma relação com a atual administração, empossada em abril de 2019;

6.Acompanha com atenção a apuração dos fatos, de modo que os envolvidos em ilegalidades sejam identificados e respondam por seus atos na medida da lei", diz o texto.

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