A Polícia Civil de Paulínia encaminhou à Justiça o pedido de
prisão temporária do homem acusado de executar, com ao menos três tiros, o
comerciante Ronildo dos Santos Lima, 34 anos. O crime foi no bairro São José I.
“A melhor resposta que podemos dar à família e à sociedade
será a prisão do autor do homicídio”, disse ontem à reportagem do jornal Correio
Popular o delegado José Ricardo Arruda Marchetti, titular da Delegacia de
Paulínia. Ele disse que o acusado permanece foragido e teria deixado a cidade
acompanhado pela família mulher e filha. Os trabalhos para a completa
elucidação do crime seguem com o delegado de investigações José Sampaio de
Assis.
A Polícia de Paulínia informou que o homem que disparou ao
menos três tiros contra o comerciante e ex-candidato a vereador Ronildo,
matando-o na frente da esposa, na calçada de sua padaria, é acusado de outros
dois assassinatos. Não foi informado onde e quando aconteceram esses dois
homicídios.
O comerciante foi enterrado ontem, em clima de muita
comoção, tensão e medo. As pessoas preferiam o silêncio e ainda tentam entender
o que aconteceu, já que Ronilson e o homem que se tornou seu assassino
trabalharam juntos por alguns meses durante a campanha eleitoral municipal do
ano passado. Não foi a política em si, mas uma suposta dívida entre acusado e
vítima que teria motivado o assassinato. A Polícia soube da dívida por meio da
viúva do comerciante e busca alguma documentação sobre como foi a negociação
entre os dois homens.
A informação é que, ao contratar o suspeito para trabalhar
em sua campanha, Ronilson assumiu o compromisso de pagar o aluguel de uma casa
que ele administrava e cedeu para que o assessor morasse. O comerciante e
candidato teria acertado os aluguéis enquanto o suspeito, que se tornaria seu
assassino, trabalhasse para ele. Perdida a eleição, o comerciante teria cortado
o pagamento de aluguel, já que havia acabado o compromisso de trabalho entre os
dois.
O homem não concordou e insistia que o comerciante ainda lhe
devia.
“A mulher da vítima estava a poucos metros do local do
crime. Ela disse que houve uma discussão breve e, quando o comerciante se
afastou dizendo que já estava tudo acertado, o acusado passou a atirar”, disse
um dos policiais.
Ronilson morreu em frente de sua padaria, nos braços da
mulher, que trabalhava como caixa e tentou socorrê-lo. O atirador deixou o
local correndo, teria ido para a casa onde morou de aluguel e depois teria
partido em um carro escuro acompanhado pela família.
A Polícia de Paulínia aguarda a decisão judicial em relação
ao pedido de prisão temporária e também a conclusão de laudos de
responsabilidade de peritos da Polícia Técnica. A arma do crime ainda não foi
encontrada e não há dúvidas quanto à autoria do assassinato, restando saber a
real motivação, que pode determinar se o comerciante foi morto por motivo
fútil. Ontem, a padaria da vítima permanecia fechada com um cartaz escrito luto
na porta. Quase todas as casas vizinhas fechadas e moradores sem querer falar
sobre o caso acentuavam o clima de medo na região.
Com pouco mais de 116 mil habitantes, Paulínia registrou nestes 21 dias de janeiro três casos de assassinatos, sendo que um deles, no inicio do ano, foi feminicídio. Segundo a Polícia, os três crimes tiveram seus autores identificados, sendo que dois deles aguardam decisão da Justiça em relação a expedição de mandados de prisão para os acusados pelos crimes.
