O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp aplicou a primeira
dose da CoronaVac na tarde desta segunda-feira (18), em cerimônia que deu
início à vacinação em Campinas (SP), primeira cidade do interior do estado a
dar início a imunização contra a Covid-19. A primeira pessoa a receber a dose
da vacina fora da capital de São Paulo é a técnica de enfermagem Liane Santana
Mascarenhas Tinoco, de 49 anos, natural da Bahia.
A profissional de saúde aproveitou a ocasião para agradecer a oportunidade de receber a dose e pediu que as pessoas confiem na vacina contra a Covid-19.
"Estou muito grata por estar aqui e me sinto honrada
pelo convite de receber a primeira dose da vacina, a primeira pessoa do
interior de São Paulo a ser vacinada, é muita honra. O que nós esperamos é que
a vacina vai dar certo, todos devem confiar que vai dar certo. Eu aceitei o
convite e estou me sentindo muito grata por isso", disse Liane.
Durante a cerimônia, o governador João Doria enfatizou o fato da aplicação no HC ser a primeira fora da capital.
"Este é o primeiro momento de vacinação fora da cidade
de São Paulo. É aqui na cidade de Campinas. É aqui, prefeito Dário Saadi, a sua
cidade, a cidade dos campineiros, a cidade dos brasileiros", afirmou.
Aglomeração
A cerimônia organizada no HC da Unicamp para o início da vacinação no interior de São Paulo foi marcada por aglomeração.
Políticos, profissionais de saúde e jornalistas ficaram misturados, dentro do hospital que é referência no atendimento de Covid-19, sem nenhuma organização que garantisse o distanciamento mínimo preconizado pelos órgãos de segurança.
Em nota, o HC da Unicamp informou que a aplicação de vacina não pode ser realizada fora do ambiente hospitalar por norma da vigilância, daí a escolha por realizar o evento dentro da unidade.
O hospital afirma ainda que o local em que foi realizado o evento não abriga nenhuma UTI Covid, sem trânsito de funcionários entre as dependências e possui uma área de 400 metros quadrados e um pé direito de 12 metros de altura, com sistema de exaustão superior.
Além disso, o HC garante que todos os funcionários presentes
na cerimônia foram recém-testados e constam negativos para covid.
Linha de frente
Neste primeiro momento, a vacinação será para os
profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à doença na
unidade. Ao todo, 60 mil trabalhadores dos seis hospitais de referência serão
imunizados. Além do HC da Unicamp, as outras unidades são: HC de São Paulo; HC
de Ribeirão Preto (USP), HC de Botucatu (Unesp), HC de Marília (Famema) e
Hospital de Base de São José do Rio Preto (Funfarme).
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou na manhã
desta segunda-feira que a vacinação contra a Covid-19 será iniciada a partir
das 17h em todo o país. No domingo, logo após a aprovação da Anvisa para a
aplicação CoronaVac e da vacina de Oxford, produzida em parceria com o
laboratório AstraZeneca, o governo de São Paulo já aplicou a primeira dose da
CoronaVac. O governo federal, no entanto, ainda não havia iniciado a
distribuição do imunizante pelo país.
Chegada da vacina
Um caminhão carregado com 4 mil doses da vacina contra a
Covid-19 CoronaVac que deixou o centro de distribuição do Instituto Butantan,
em São Paulo, pela manhã, chegou a Campinas no início da tarde. O carregamento
foi levado direto para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, primeiro lugar a
receber o imunizante na metrópole.
De acordo com o superintendente do HC, após a cerimônia desta segunda, a vacinação nos demais profissionais de saúde da unidade começa nesta terça-feira (19) e segue até sexta-feira (22). Serão vacinadas 2 mil pessoas, já que o hospital irá reservar o restante para a segunda dose.
A CoronaVac foi produzida em parceria entre o Instituto
Butantan e a farmacêutica chinesa SinoVac. O caminhão com as doses da vacina
foi levado às 13h20 até o Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), no HC da
Unicamp, um dos seis hospitais de referência escolhidos para serem os primeiros
locais a receberem as doses.
Antes de descarregar a vacina no HC, médicas responsáveis por coordenar a vacinação na unidade checaram a temperatura em que os imunizantes foram transportados. A CoronaVac precisa ser armazenada entre 2º C e 8º C, e o baú do caminhão que trouxe as doses da capital até o HC registrava 4º C. Após a conferência, as duas caixas com as 4 mil doses foram descarregadas e levadas para o centro médico.
O transporte das vacinas de São Paulo até Campinas contou
com escolta da Polícia Militar, que preparou um esquema reforçado de segurança.
As vacinas serão distribuídas a partir desta terça-feira (19) para centros de
distribuição nas 200 cidades mais populosas do estado, incluindo Campinas, e
polos regionais para as prefeituras de cidades menores adquirirem as doses.
Vacinação em Campinas
As doses recebidas nesta segunda-feira pelo HC são independentes das que serão enviadas à Prefeitura de Campinas (SP) para imunização na rede municipal. No domingo, a administração afirmou que a vacinação começará pelos 15 mil profissionais da área de saúde que atuam na linha de frente contra a doença. O Executivo aguarda a chegada das doses, que ainda não tem previsão exata, para iniciar a campanha.
Depois de imunizar os profissionais da linha de frente,
Campinas planeja aplicar as doses posteriores que receber aos demais
trabalhadores da área de saúde, indígenas e quilombolas. Somente quando for
finalizado este grupo a campanha será aberta, gradativamente, para cada um dos
outros grupos de risco para a Covid-19, conforme ordem estabelecida pela
Secretaria de Saúde.
1ª fase
De acordo com a prefeitura, 209,3 mil pessoas devem ser imunizadas na primeira fase de vacinação. A data para início de cada grupo, entretanto, depende do número de doses disponíveis na cidade.
Trabalhadores de saúde, indígenas e quilombolas: 63 mil
- Idosos com 75 anos ou mais: 40,3 mil
- Idosos com 70 a 74 anos: 26,3 mil
- Idosos com 65 a 69 anos: 33,5 mil
- Idosos com 60 a 64 anos: 40,1 mil
