Novo prefeito toma posse em Paulínia e anuncia mutirão para zerar déficit da saúde em 6 meses

Du Cazellato tomou posse na sexta-feira e afirmou que não foi informado na transição sobre a quantidade de verba disponível. Chefe do Executivo ainda não definiu secretariado.

Paulínia (SP) voltou a ter um prefeito eleito após quase um ano. Empossado na Câmara de Vereadores na tarde desta sexta-feira (4), Du Cazellato (PSDB) assumiu prometendo uma "nova história" para a cidade, que viu o posto do chefe do Executivo trocar de mãos 12 vezes nos últimos sete anos. Como uma das primeiras medidas, anunciou um mutirão para tentar zerar os déficits da saúde em seis meses.

"Estamos trabalhando há 30 dias na transição de governo e de imediato [faremos] um mutirão para colocar a saúde em dia. Acredito que dentro de seis meses conseguimos zerar tudo. Vamos unir as secretarias para que contratos e licitações saíam mais rápido."

Falando para um plenário da Câmara lotado, Cazellato afirmou que seu o governo não terá "oportunistas" e que suas metas são "tirar a saúde da crise, melhorar a educação e gerar mais postos de trabalho".

“Não teremos grandes festas, nem contratação de grandes artistas. Será um governo focado em políticas públicas. Nada de projetos eleitoreiros”, disse.

Presidente da Câmara e pessoa que vinha ocupando o cargo de prefeito interino, o vereador Antônio Ferrari (DC), conhecido como Loira, não compareceu na posse de Cazellato. Questionado se via na ausência um eventual problema na relação com o Legislativo, o prefeito contemporizou.

"Nunca tivemos problemas. Como vereadores, sempre nos demos bem. Tenho intenção de mandar projetos para Câmara, que são projetos para a cidade. Se ele não quiser pautar, o problema é dele. A maior parte [dos vereadores] tem me apoiado. Dez me apoiaram nas eleições", afirmou.

Cazellato vai governar Paulínia até dezembro de 2020 e pode se candidatar à reeleição no pleito municipal do ano que vem. Ele recebeu 26,99% dos votos válidos na eleição suplementar do dia 1º de setembro, convocada após a cassação do ex-prefeito Dixon Carvalho (PP) e do vice Sandro Caprino (PRB) por abuso de poder econômico no período eleitoral de 2016.

Primeiro escalão

O prefeito ainda afirmou que já definiu 15 dos 21 nomes do primeiro escalão da administração. No entanto, apenas dois foram anunciados pelo no chefe do Executivo. Para a Educação, Cazellato escolheu Meire Muller, que já ocupou o cargo de diretora e secretária da pasta entre 1993 e 2000.

Já para a Secretaria de Obras e Serviços Públicos, o prefeito nomeou Marcelo Lima Barcellos de Mello. O advogado também já foi titular da pasta por duas vezes.

Entenda a crise política

A crise política em Paulínia começou ainda durante o pleito eleitoral de 2012. O ex-prefeito Edson Moura (MDB) lançou a candidatura ao cargo máximo do Executivo da cidade, mas foi barrado pela lei da ficha limpa por suspeita de compra de votos e renunciou à chance de concorrer, um dia antes da eleição.

O substituto foi o filho, Edson Moura Júnior. Como não havia tempo hábil para mudança na urna, a foto que apareceu foi a do pai, que estava inelegível.

Edson Moura Junior, então, foi eleito no dia 7 de outubro de 2012, com 20.385 votos, que representavam 41,01% dos válidos em Paulínia. No entanto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) considerou a manobra na véspera da eleição ilegal, além de ter o objetivo de "enganar o eleitor" e transferir os votos de pai para filho.

Por conta da recomendação da Promotoria, o juiz eleitoral da cidade impugnou o registro do prefeito eleito e declarou José Pavan Junior (PSB), o segundo candidato mais votado com 34,99% dos votos, o novo chefe do Executivo.

Veja a linha do tempo das trocas na Prefeitura de Paulínia
Pavan tomou posse no dia 1º de janeiro de 2013, mas ficou apenas seis meses no cargo. Após recurso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu ganho de causa a Moura Júnior, que assumiu a Prefeitura no dia 16 de julho de 2013. A partir daí, iniciou-se uma briga judicial para que o novo prefeito continuasse no cargo.

A primeira saída de Moura Júnior aconteceu no dia 11 de abril de 2014, quando o então presidente da Câmara, Marquinhos Fiorella (PP), assumiu pela primeira vez. Contudo, quatro dias depois, o filho de Edson Moura voltou ao cargo por meio de uma liminar. Depois disso, Moura Júnior saiu e deixou a Prefeitura outras quatro vezes, sendo cassado em definitivo no dia 3 de fevereiro de 2015.

Após a "era Moura Júnior" na Prefeitura de Paulínia, Sandro Caprino, atualmente vice-prefeito cassado e à época presidente do Legislativo, assumiu por dois dias até que Pavan Júnior fosse chamado novamente para assumir, em 6 de fevereiro de 2015.

O tucano ficou no cargo até o fim do mandato, dando lugar a Dixon Carvalho, eleito em 2016 com 34,37% dos válidos. Ele assumiu no dia 1º de janeiro de 2017 e deixou o cargo no dia 7 de novembro de 2018.

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