Mesmo diante de crise vendas de carros usados crescem em abril

DIANTE DO MOMENTO ECONÔMICO, CONSUMIDOR APOSTA EM FLEXIBILIDADE NO PREÇO DOS USADOS E SEMINOVOS

No mesmo mês em que a venda de veículos novos caiu 26% em todo país, embarcando de vez na crise macroeconômica, a comercialização de seminovos e usados pegou a mão contrária da via. Em abril, apenas na cidade de Campinas houve um aumento de 10,7% nas vendas. A flexibilidade do preço é um dos motivos que explicam essa guinada, segundo especialista.

De acordo com balanço da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), em abril de 2014, Campinas havia comercializado 10.922 veículos. No mesmo mês deste ano, a quantia chegou a 12.094. Em abril, foram vendidos, em média, 605 carros por dia, ante 496 no mesmo mês de 2014.

A evolução positiva de usados em direção contrária à venda de novos tem explicação. Segundo o professor de Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, Roberto Brito de Carvalho, o veículo seminovo ou usado tem maior flexibilidade no preço. “O carro novo tem um preço tabelado. As montadoras e concessionárias não têm um espaço de manobra para baixar o preço em caso de crise. O mercado de seminovos e usados é totalmente diferente. O preço pode oscilar de acordo com o mercado”, explica.

Essa queda no valor acaba fazendo com que a distância de preço para o caro novo cresça ainda mais, tornando o negócio atraente. “A redução do preço e o distanciamento maior para o valor de um veículo novo viabiliza a mercantilização”, exemplifica Carvalho.

Outro fator que também determina uma mudança de comportamento é a influência na disponibilidade de crédito. “Quando a economia estava em um bom momento, existia uma maior oferta de crédito e o sinal era menor. Hoje, o que acontece é que o número de parcelas foi reduzido e o preço da entrada pode chegar a 60% do valor do veículo, o que acaba travando a compra de um carro novo, porque poucas pessoas possuem esse montante em mãos”, comenta o especialista.

Hoje em dia não existe mais crédito como acontecera no passado, antes qualquer pessoa conseguia parcelar um veículo sem entrada, agora você precisa dar pelo menos 20% do valor.

Segundo o professor da PUC, o cenário deve permanecer nessa esteira por pelo menos um ano. A previsão é que a economia possa dar novamente uma guinada na metade final do ano que vem. “A curto prazo não vejo possibilidade de mudança do cenário. Possivelmente no segundo semestre de 2016 tenhamos um começo de melhora”, completa Carvalho.



Fonte: Portal de Paulínia

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