A Polícia Civil de Campinas (SP) trabalha para esclarecer a motivação do homicídio do motorista de app Jean Carlos Santos Novais, de 26 anos, morto por asfixia e enterrado em uma praça por Paulo José Peres, de 54 anos. A família do jovem conta que ele teria a receber uma dívida de R$ 50 mil por serviços prestados ao empresário, enquanto o advogado de defesa do autor alega que houve um desentendimento por tentativa de extorsão.
O delegado Rui Pegolo, chefe do departamento de homicídios, busca informações sobre a origem dessa suposta dívida, uma vez que Jean teria trabalhado para Paulo, que tem um comércio de queijos no bairro Vila Nova, mas o montante não seria de verbas trabalhistas.
Jean Carlos estava desaparecido desde o dia 18 de abril e o empresário já era investigado como suspeito do crime. Em duas oportunidades, negou saber sobre o paradeiro do motorista de app. Apenas na terceira oitiva confessou o crime e apontou o local onde o corpo estava enterrado.
Jean Carlos foi enterrado nesta sexta-feira (28), no dia em que completou três anos da morte do irmão gêmeo, Higor Gustavo, por câncer.
"[O Jean] Sempre foi muito educado, trabalhador, bem
família. A minha ficha não tá caindo, imagina da família. Foi muito cruel,
muita crueldade", lamentou Camilla Barros, amiga da vítima.
O crime
Jean Carlos estava desaparecido desde o dia 18 de abril e a família espalhou avisos em redes sociais. O corpo foi encontrado enterrado em uma praça no bairro Vila Nova na noite de quinta-feira (27), após investigação da polícia.
O laudo pericial apontou que o motorista foi morto por asfixia. A Informação foi obtida pelo g1 com o titular da Delegacia de Homicídios da metrópole, Rui Pegolo. Um comerciante de 54 anos, proprietário de um comércio em frente ao local, onde o corpo foi encontrado confessou o assassinato.
De acordo com Pegolo, a autoria está resolvida, já que o comerciante, proprietário do "Rei do Queijo", um empório de venda de queijos e embutidos, confessou o crime. No entanto, as apurações seguem em curso para entender qual foi a motivação.
O homem afirmou que matou o motorista na manhã do dia 18.
Primeiro, o corpo ficou escondido dentro do apartamento que fica na parte de
cima do comércio. Durante a noite, o suspeito enterrou a vítima na praça, após
cavar uma cova com a ajuda de um funcionário, que pensou estar abrindo uma vala
para um cachorro.
A polícia chegou até o suspeito através do rastreador do celular do homem assassinado . De acordo com o autor, ele estava sendo extorquido pela vítima. Os dois já haviam trabalhado juntos.
"A investigação vai apurar no âmbito do inquérito se de fato haviam essas ameaças e extorsões da vítima para o autor", afirmou Rui Pegolo.
Segundo a Polícia Civil, o comerciante usou produtos químicos na hora de enterrar o corpo para disfarçar o cheiro forte. Imagens de circuito de segurança de imóveis no bairro mostram o carro da vítima sendo abandonado. O comerciante já havia sido ouvido em duas oportunidades, mas ele negou a participação no crime e só confessou na terceira vez, depois de ter as justificativas confrontadas.
O homem não ficou preso, mas foi indiciado por homicídio qualificado e omissão de cadáver. A polícia vai apurar ainda as circunstâncias do assassinato e aguardar todos os laudos periciais para definir, ao final das investigações, se vai pedir a prisão temporária do comerciante. Segundo o delegado, ele está "colaborando com as investigações".
