Homem de 79 anos morreu no Hospital Estadual de Sumaré (SP) na quinta-feira (18). Cadáver precisou ser retirado do necrotério municipal por não se tratar de um residente da cidade.
O corpo de um idoso vítima do novo coronavírus (Sars-CoV-2) foi mantido dentro de um carro funerário por várias horas nesta sexta-feira (19), em Sumaré (SP), após ser removido do necrotério municipal e não ser redirecionado para outro local de armazenamento.
A declaração do óbito do paciente, de 79 anos, aponta que o homem morreu no Hospital Estadual de Sumaré na quinta-feira (18) devido às complicações da doença. Seguindo o protocolo estabelecido pela Vigilância Sanitária, uma funerária foi chamada para levar o corpo ao necrotério municipal, o que deu início ao impasse.
Para que o corpo fosse liberado para sepultamento, era necessário que um membro da família da vítima fosse até o município para registrar o óbito. O único parente do idoso, no entanto, é a ex-esposa, que reside em Araçatuba (SP). Devido à distância, a mulher afirmou à funerária que só poderia ir até o local na segunda-feira (22).
Com isso, o corpo foi levado ao necrotério municipal, onde permaneceria até a chegada dos familiares. Contudo, após cerca de 24 horas, a administração do cemitério solicitou a retirada do cadáver, já que o homem não era residente de Sumaré. Sem ter para onde levar o corpo, a funerária optou por registrar um boletim de ocorrência na delegacia.
"O IML não aceitou porque não tratar-se de morte
violenta; o município de residência dele, que é Nova Odessa, não possui
necrotério, então não tinha como levar para lá também. Só que ele faleceu na cidade
de Sumaré, por isso ele foi levado para o necrotério municipal de Sumaré",
disse Alexandro Santos, representante da funerária.
Falha de comunicação
Diante da possibilidade de que o corpo permanecesse sem direcionamento até segunda-feira, o secretário de Saúde da cidade, Rafael Virginelli, entrou em contato com a equipe da EPTV, afiliada da TV Globo na região, para informar que o corpo seria destinado a uma ala específica para mortos diagnosticados com Covid-19 em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) municipal.
"Nós não vamos deixar esse corpo aí na funerária, porque também não tem espaço. Nós vamos levar para o UPA do nosso município, onde tem a geladeira, até que a família chegue. Nós preparamos uma ala específica para isso", afirmou. Ainda na noite de sexta, o secretário informou ter conseguido uma autorização para encaminhar o corpo do idoso da UPA para o IML de Americana (SP).
Rafael Virginelli reconheceu que a situação foi acentuada
por uma falha de comunicação. "A gente vai averiguar por que [...]
soltaram esse corpo antes. A gente vai estar averiguando junto ao Hospital
Estadual para ver o que de fato aconteceu", assegurou.
O que diz o hospital?
Questionado sobre a liberação do corpo, o Hospital Estadual de Sumaré afirmou, em nota, que segue os protocolos da lei federal, que impedem que corpos de vítimas da Covid-19 permaneçam no local. Além disso, a unidade ressaltou que dispõe de quatro geladeiras para uma média de cinco óbitos por dia.
O hospital disse ainda que uma vizinha reconheceu o idoso e que a ex-esposa foi avisada da situação, mas que, em casos como este, a responsabilidade pela retirada, armazenamento e destinação do corpo é da prefeitura.
