Sujeira em áreas públicas é alvo de críticas em Paulínia

Moradores de Paulínia reclamam do descaso com a limpeza da cidade. Mato alto, entulho, pneus com água parada, que servem de criadouros para o mosquito Aedes aegypti (transmissor de dengue, zika e febre chikungunya) são algumas das reclamações corrente em pelo menos três bairros do município: Alto de Pinheiros, Bela Vista e Jardim Leonor.
Na Avenida Paulista, por exemplo, há um terreno baldio ao lado do ponto de ônibus na altura da Faculdade de Paulínia (FACP). Não há calçada e o mato avança por onde seria o passeio, obrigando os pedestres a caminharem pela via movimentada. “Está muito perigoso aqui. Qualquer dia alguém acaba morrendo atropelado. Não tem sinalização, não tem lombada (na via que sobe). Os carros passam voando e as pessoas têm que andar na rua”, afirma a dona de casa Ineida Maria Tessi, de 53 anos. “Outro dia, minha filha estava aqui no ponto e um homem pediu orientações. Quando ela foi responder, ele começou a fazer gestos obscenos. É muito perigoso ficar sozinha aqui à noite”, acrescenta, sobre o ponto de ônibus.

O estudante Richard Santos, de 19 anos, também estava no local na tarde desta quinta-feira e concorda com Ineida. “É muito ruim. Deve ter bicho aí nesse mato. Lacraia, escorpião, aranha, cobra.” Além dos animais peçonhentos, ele se preocupa também com a demora em resolver o problema. “Faz muito tempo que está assim, meses.”
A área é frequentada por estudantes, que temem assaltos. “Não temos segurança com esse matagal. Um ladrão, um estuprador pode facilmente se esconder e arrastar qualquer um. E daí, como fica?”, questiona Maiara Rodrigues, de 17 anos.

Nos bairros circunvizinhos, a situação não é diferente, afirmam os moradores. “A cidade está um caos. Um descaso total. Não tem limpeza. Está feio. Muito complicado”, declara a dona de casa Magda Janaína Tavares, de 34 anos, que mora no Residencial Pazette, e tem uma filha de 1 ano e 3 meses. “A Prefeitura de Paulínia está uma palhaçada faz tempo. Entra e sai prefeito e nada muda. Eu tenho criança pequena, e como a gente faz com tudo isso de mato, com tudo isso de entulho?”
Magda se refere ao troca-troca na Prefeitura, protagonizado pelo ex-prefeito cassado Edson Moura Junior (PMDB) e o segundo colocado nas eleições de 2012, José Pavan Júnior (PSB). Ambos se revezavam devido à impugnações na candidatura de Moura Junior e a sucessivas interpelações na Justiça.
O atual prefeito, Dixon Ronan Carvalho (PP), teve as contas de campanha rejeitadas em dezembro pela Justiça. A decisão, que não impediu a posse e teve recurso, foi da juíza da 323ª Zona Eleitoral, Marta Brandão Pistelli, que aceitou o parecer do Ministério Público. Segundo a magistrada, é injustificada a injeção de recursos do próprio candidato na campanha, no valor de R$ 681.500,00, sendo que o patrimônio declarado corresponde a R$ 591.519,34.




Na Rua Joaquim dos Santos, no Alto de Pinheiros, terrenos baldios em frente um ao outro apresentam o mesmo problema reclamado em outras áreas. O agravante é que neles ainda foi descartado material de construção. “Imagina o que tem aí embaixo desses tijolos”, diz o aposentado José Antônio da Silva, de 63 anos. Em ambas as glebas também não há nem sinal de calçada.
Já na Rua João Freitas Filho, no Jardim Leonor, não há como trafegar pelo passeio, de tanto entulho. “Tem até galho de árvore aqui. O povo desova as coisas e não tem nenhuma punição. Ninguém tira e fica por isso mesmo. A Prefeitura não toma atitude para coibir”, declara o eletricista João Oliveira, de 37 anos.
A Prefeitura disse em nota que os serviços de limpeza ocorrem ininterruptamente desde 2 de janeiro e que a Secretaria de Obras e Serviços Públicos já coletou sete mil toneladas de entulho, além de implantar pontos fixos para depósito de materiais “em 35 regiões”. “Em áreas particulares, os serviços são de total responsabilidade dos proprietários, que são notificados em casos de abandono”, diz a nota. “Três novos fiscais aprovados em concurso estão em atuação.”
A Prefeitura também informou que disponibiliza um canal para denúncias e reclamações sobre os serviços públicos: (19) 3844-8153.
A Administração municipal não informou se irá instalar lombada cobrada por moradores na Avenida Paulista. Disse que irá contratar uma empresa de estudos em engenharia de tráfego para identificar problemas no sistema viário.

Fonte: Correio Popular

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